um pouquinho sobre mim

Minha paixão pelo teatro começou cedo. A primeira peça que lembro de ter visto foi um musical de Romeu e Julieta no (agora falecido) Teatro Procópio Ferreira, numa excursão da escola em 2005. O elenco tinha nomes como Luiza Possi, Leonardo Miggiorin (que eu era apaixonada desde Presença de Anita) e Dani Calabresa (que na época não era famosa ainda). Não sei qual professora teve a brilhante ideia de levar um monte de pré-adolescentes num musical, mas sou eternamente grata por ela ter mudado minha vida. Não lembro exatamente quais músicas foram cantadas, mas sei que foi a primeira vez que ouvi a música João e Maria do Chico Buarque e desde então virou uma das minhas músicas preferidas da vida! Nessa época o YouTube ainda estava engatinhando, mas um ser abençoado chegou a postar um vídeo proibidão desse número e lembro que passei dias e dias vendo essa apresentação (infelizmente o vídeo foi deletado e meu HD que tinha essa gravação queimou... mas se eu fechar os olhos e me concentrar bem eu ainda consigo lembrar dessa apresentação de tanto que me marcou). Eu gostei tanto desse musical que pedi para minha mãe me levar de novo, com a desculpa de levar uma amiga que acabou não indo na excursão porque ela PRECISAVA ver! Não sei se isso mudou tanto a vida dela como a minha, mas sei que desde esse dia eu comecei a me interessar por teatro.


Saudade quando os ingressos eram físicos e vinham até no envelope


Apesar dessa minha paixão avassaladora por teatro, acho que minha segunda ida ao teatro (sem contar a segunda vez de Romeu e Julieta) foi só em 2008, quando descobri que o Caio Blat estava fazendo uma apresentação no famoso Teatro do Silvio Santos (Teatro Imprensa). Na época eu era apaixonadíssima por ele por causa da reprise de Coração de Estudante e acabei arrastando minha mãe para ir comigo. Não lembro de nada da peça, mas lembro que foi emocionante ver meu crushzinho pessoalmente (mas na novela ele era mais bonito...)


   

    Não lembro de nada dessa peça, mas minha mãe até hoje chama de "aquela peça do mendigo"


Enquanto isso, uma amiga minha de infância que estudava em outra escola também estava apaixonada por teatro, mas pelo outro lado: o da atuação. Ela fazia algumas peças amadoras na escola e sempre me convidava para assistir e eu ia com a maior felicidade do mundo. Por mais simples e amadoras que fossem, eu achava demais estar ali vendo pessoas tão novas conseguirem decorar tanto texto e conseguirem passar aquela história para tanta gente. Eu sempre fui uma pessoa extremamente tímida a ponto de ter mutismo seletivo até o ensino médio (descobri que isso tinha nome há pouco tempo, na minha época era só chamado de frescura kkkk), e só de pensar em ficar num palco na frente de outras pessoas já me causa calafrios, então ver pessoas talentosas que não se acanham com isso é encantador! Lembro que em 2005 mesmo ela tinha me chamado para ver O Fantasma da Ópera no Teatro Renault, mas eu, ingênua, achei que seria uma coisa super assustadora (fantaaaasmaaa!) e acabei recusando. O pior é que eu gostava de filmes de terror, mas como nunca tinha ido antes ao teatro devo ter achado que seria algo mais imersivo e que um fantasma iria simplesmente brotar na cadeira do meu lado para tentar me assustar. Alguns anos depois vi o filme com Gerard Butler e Emmy Rossum, vi os filmes em preto e branco e até li o livro. Não ter ido nesse musical nessa época é um dos meus maiores arrependimentos da vida, porque se eu já fiquei maluca com um musical "simples" de Romeu e Julieta, imagina se eu tivesse começado minha aventura teatral logo com um Fantasma da Ópera! Felizmente corrigi esse erro em 2019 e consegui realizar o sonho de ver esse musical no teatro, mas talvez eu tenha ido com expectativa muito alta ou talvez só não tenha gostado da voz do ator do Fantasma, mas não foi tuuudo aquilo que eu esperava...



Ainda assim um sonho realizado!

Infelizmente essa era uma época que não existia Uber, então eu dependia da minha carona PAItrocinada para me levar aos lugares. Não só isso, mas eu também fui uma adolescente que dificilmente saía de casa, então cada saída tinha que ser muito bem planejada e ainda tinha o mais difícil: encontrar companhia. Para minha sorte, descobri que um amigo também gostava de teatro (por influência minha?) e fomos juntos ver várias peças entre 2009-2015, como Toc Toc, Como Passar em Concurso Público, Equus, etc. Chegamos a ir até em Santo André para ver a peça Aonde Está Você Agora?, com o Klebber Toledo e Wagner Santisteban. Além desse meu amigo, também descobri que dois amigos da faculdade também gostavam muito de teatro e um deles até era ator nas horas vagas! Como nossa faculdade ficava perto de vários teatros, às vezes combinávamos algum final de semana para ver o que estava passando por ali. Assistimos muitas coisas legais como Wicked, A Família Addams e My Fair Lady, mas também vimos muitas bombas, como comédias totalmente machistas e homofóbicas, mas isso também nos fez começar a pesquisar melhor antes de ver qualquer coisa que estivesse em cartaz...


  

    Acho que não tinha como esperar muita coisa com uma peça com esse nome...

Apesar de ir ao teatro nessa época, ainda era coisa de uma ou duas vezes por ano. Nem passava pela minha cabeça ir ao teatro (e em outros lugares) sozinha, então eu acabava sendo refém da boa vontade dos meus amigos. Desde 2022, uma webamizade de quase uma década começou a vir periodicamente para São Paulo, e agora sempre que ela e/ou o namorado vêm para cá, a gente aproveita para ir ao teatro. A primeira peça que vimos juntos foi o musical Grease, no Teatro Claro. Eu gostei tanto que duas semanas depois fui assistir novamente, dessa vez sozinha. Para minha surpresa, ir sozinha ao teatro não era tão ruim como eu imaginava e isso abriu totalmente minha mente. Em 2023 acabei indo em 9 peças, tanto com esses dois amigos como com minha amiga da faculdade. Já em 2024, fui em 13 peças, a maioria sozinha. Destaco meus favoritos: os musicais Matilda, O Jovem Frankenstein, Alguma Coisa Podre, Hairspray e A Noviça Rebelde, além da peça Diário de Um Louco, com o maravilhoso Milhem Cortaz. Esse foi um ano revolucionário para mim, porque finalmente consegui a coragem que me faltava para ir mais vezes ao teatro sozinha. Até me arrependo de não ter começado a fazer isso antes, mas antes tarde do que nunca... Agora meu recorde mesmo foi em 2025: consegui a façanha de ir em 28 peças! Até achei que iria cansar em algum momento, mas parece que quanto mais eu vou, mais vontade eu tenho de ir! Inclusive percebi que até começo a me sentir meio triste quando fico mais de duas semanas sem ir, então vou continuar aproveitando já que finalmente encontrei algo que me deixa realmente feliz!


Mas agora vamos falar sobre o que interessa: a existência desse blog! Junto com a timidez, eu também tenho muita dificuldade em me expressar, então ano passado comecei (e desisti) a fazer terapia. Em uma das primeiras sessões, minha querida ex psicóloga pediu para eu comentar sobre um filme que eu tinha visto no final de semana. Na hora me deu um branco e eu simplesmente não soube falar nada, então ela pediu para eu escrever em casa com calma tudo que quisesse falar sobre ele e levasse para ela na sessão seguinte. Ela acabou esquecendo de me perguntar sobre o filme depois, mas eu fiquei com isso na cabeça. Eu já sabia que minha memória era terrível, mas é muito triste esquecer tudo que assisti depois de alguns dias, ainda mais se for algo que eu gostei. Por que eu gostei daquilo? Por que eu não gostei? Então tive a ideia de começar a escrever sobre as peças que assistia, tanto para não esquecer da história, como para não esquecer o que eu senti enquanto assistia. Agora sempre que vou ao teatro, eu chego em casa e já começo a despejar num bloco de notas tudo que aconteceu e tudo que eu senti durante a experiência única de ver uma peça. Algum comentário legal que ouvi da plateia, algum improviso que o ator fez, enfim, coisas que seriam completamente esquecidas alguns dias depois. Já cheguei a mandar para um amigo algumas resenhas que escrevi e ele me deu a ideia: por que não postar num blog? De primeira achei besteira, por que alguém iria querer ler os comentários idiotas que eu escrevo? Não sei escrever bonito e também não sou Especialista em teatro para ter base para comentar o que vejo. Ainda não estou totalmente confiante em postar as resenhas publicamente, mas ao mesmo tempo eu gosto muito de ler comentários ~reais de outras pessoas que também vão ao teatro, então talvez não seja uma ideia tão ruim assm. Vou começar postando as resenhas que escrevi das peças ano passado até chegar nas mais atuais (mas vou colocar a data da postagem de acordo com a data certa que fui assistir, até para ficar mais organizado no futuro). A estrutura delas foi mudando ao longo do tempo, mas elas basicamente começam falando sobre como descobri a peça, a chegada até o teatro, a história em si e minhas opiniões. Nada muito técnico, apenas minhas impressões pessoais mesmo, quase como um diário. Além do teatro, de vez em quando também vou postar sobre outros eventos, como shows e exposições. Espero que não fique algo muito chato e pessoal demais, mas de qualquer jeito não tem como ser muito diferente disso já que vai ser quase como um diário online 🤷‍♀️

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