DIA/HORÁRIO: 26 de setembro de 2025, 21h
ASSENTO: B27
LOCAL: TUCARENA
DURAÇÃO: 80 minutos
SINOPSE: Em In On It existem três diferentes realidades que se alternam e se inter-relacionam: a peça, o espetáculo e o passado. A peça, ou a ficção, é a história de Ray, que sofre uma série de perdas e passa a imaginar seu próprio fim. O espetáculo é o que acontece “aqui e agora” e consiste principalmente na discussão entre os dois personagens – em relação direta com o público presente – acerca da peça e seu desenvolvimento. O passado fala de como a relação afetiva entre os dois personagens se iniciou e se desenrolou.
Eu já tinha ouvido falar sobre essa peça há anos, tanto em anúncios da internet como naquelas revistinhas tipo Guia Off, mas nunca tinha ido atrás para saber sobre o que era a história. Um dia uma amiga falou que viria para São Paulo e perguntou se eu estaria livre nesse dia para ir ao teatro ver essa peça. Uma ida ao teatro e um copo d’água não se nega a ninguém, então prontamente aceitei o convite mesmo sem nem ter lido nada da história antes. A única coisa que estranhei quando fui comprar o ingresso é que tinham mudado um dos atores da dupla: em vez do Enrique Diaz, quem estava no lugar dele era o Fernando Eiras. Eu gosto muito do Enrique Diaz e fiquei chateada por ele não estar mais na temporada, mas descobri que o Enrique era o diretor e que na verdade o Eiras sempre foi o ator “oficial”, o Enrique só substituia ele em algumas sessões.
Acho que o primeiro comentário a fazer sobre essa peça é que ela é mais de Sentir do que Explicar. É uma peça sobre um casal em que um é dramaturgo e a história vai e volta sobre a peça e a vida deles. Uma hora eles estão interpretando a história dele, depois eles param e comentam sobre a cena, depois para de novo e eles comentam sobre a vida pessoal dos dois (inclusive mostrando cenas do passado, como do dia em que eles se conheceram e quando ficaram juntos pela primeira vez). Aí a história da peça (do cara) é sobre um homem que vai ao médico e descobre que está com uma doença grave. Ele tenta contar para o filho, mas ele meio que desconversa e acha que não pode ser tão grave assim, aí ele vai contar pra esposa, mas antes disso ela termina tudo com ele porque está tendo um caso com outro cara. Aí mostra ele voltando ao médico pra saber quanto tempo de vida ainda tem, mas o médico só diz pra ele viver do melhor jeito possível porque ele pode ter tanto alguns anos restantes como só algumas horas. Aí no final da história descobrimos que ele que jogou o carro na frente do carro que estava o marido do dramaturgo (na vida real) e que o acidente matou os dois. Então dá para entender que o cara fez essa peça para "superar" ou até entender o que pode ter acontecido na vida do motorista que matou seu marido e para poder tirar a culpa dele mesmo por ter insistido que ele pegasse o carro justo naquele dia. Então depois entendemos que nas cenas em que os dois estão discutindo a peça, o marido não está ali realmente, era só um Fantasma que está ali para dar pitacos e tentar melhorar a história.
Eu nunca tinha visto nenhuma peça na Tucarena. O palco é em forma de arena, com um círculo no meio enquanto a plateia fica em volta. Confesso que não gosto muito de peças que não tenham um palco frontal (igual Jersey Boys e Irmãos Karamazov, muitas vezes os atores ficam "de costas" pra plateia e você perde a expressão facial dos atores), mas nesse caso até que funcionou porque na própria história falam sobre círculos etc, mas não sei se foi uma adaptação pelo formato do teatro ou se isso realmente fazia parte da história. Ainda assim, acho que preferiria ter visto essa peça num teatro "normal".
Uma coisa interessante foi que apesar de ter um tema meio sério, ainda conseguiram colocar uns toques de comédia, com um deles interagindo com pessoas diferentes da plateia (perguntando se a pessoa concordava com alguma afirmação que foi dita, ou se gostou da cena, etc), e com algumas frases que fazia a plateia dar risada. Inclusive em uma das cenas ele pergunta para a plateia se alguém conhecia a Lesley Gore e alguém da plateia disse que era a mulher que cantava a música que estava tocando naquele momento (Sunshine, Lollipops And Rainbows), aí o ator disse que foi a primeira vez naquela temporada que alguém da plateia disse que conhecia ela! Não sei se é verdade, mas achei curioso porque amo músicas dos anos 60, mas nunca tinha ouvido falar nela (inclusive quando estava tocando eu achei que era alguma música da Annette Funicello).
Achei a atuação do Emílio de Mello muito boa, ele tem um timing muito bom pra comédia e também é ótimo em cenas mais dramáticas. A atuação do Fernando Eiras também é boa, mas achei o personagem meio chato, então o Emílio acabou chamando mais minha atenção. Mas apesar disso, teve uma hora que o Fernando interpretou o pai do personagem da peça dele e na hora eu cheguei a me assustar porque consegui ver meu pai ali. Não só pelo estereótipo de Pai Idoso mas porque ele conseguiu fazer os trejeitos e até o tom de voz que meu pai começou a usar nos últimos meses de vida dele...
Outro momento que achei interessante foi uma das cenas finais em que ele está prestes a ser atropelado e fala que nessa hora começou a Entender as coisas belas, os momentos felizes, e as coisas que fazem a vida valer a pena; coisas que a gente só lembra na hora da morte, mas que na verdade não fazem parte da morte, mas sim da Vida.
Então eu acabei gostando da peça por sua originalidade e metalinguagem (adoro histórias assim), mas a história em si não me pegou tanto assim. Também tem o fato de eu ter dormido pouco/mal e ter ficado enjoada o dia todo, então talvez eu tenha deixado passar algumas coisas por não estar tão bem para prestar atenção nos detalhes e falas (teve alguns momentos que eu me peguei dissociando justamente por não estar passando muito bem, e além de tudo as cadeiras eram de plástico e muito duras, o que me deixou com dor no bumbum e nas costas...). Apesar de tudo, no dia seguinte fui pesquisar mais sobre a história e acho que consegui entender melhor, então acabei gostando um pouco mais.


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